sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vigilância contra o câncer de pulmão em fumantes

Vigilância contra o câncer de pulmão em fumantes: será que vale a pena?

É de grande conhecimento geral que os indivíduos que fumam têm risco muito aumentado de desenvolver câncer de pulmão ao longo da vida. O risco varia diretamente com a quantidade de cigarros fumados por dia e o tempo de tabagismo.

Em pesquisa publicada no prestigioso The New England Journal of Medicine (acesse aqui), pesquisadores americanos avaliaram se uma estratégia de vigilância para câncer de pulmão em indivíduos que fumam poderia detectar tumores precocemente e, dessa maneira, aumentar as suas chances de sobrevivência frente à doença. O curioso é que a estratégia de vigilância incluía, justamente, tomografias computadorizadas de tórax com baixas doses de radiação. Como vimos em postagem anterior, a exposição à tomografia computadorizada foi relacionada a maior risco de desenvolvimento de câncer.

Na pesquisa, que envolveu 33 grandes centros médicos dos Estados Unidos, mais de 50.000 fumantes sem sintomas ou sinais de doença e com idade entre 55 e 74 anos foram divididos em dois grupos: em um deles, todos os pacientes realizaram tomografia computadorizada de tórax anual, enquanto no outro, os participantes realizaram radiografia de tórax anual. Os pacientes foram acompanhados por três anos.

A frequência de exame alterado para os que realizaram tomografia foi de 27%, enquanto que para os que realizaram radiografia foi de 9%. A grande questão é a seguinte: quantos pacientes realmente tinham câncer?

O câncer de pulmão foi diagnosticado, após confirmação com uso de técnicas invasivas ou cirúrgicas, em somente 4% dos indivíduos com tomografia alterada e em 7,7% nos indivíduos com radiografia alterada. Em números absolutos, 1,1% do total de indivíduos que realizou tomografia tinha câncer de pulmão, enquanto que o câncer foi identificado em 0,7% de todos que realizaram radiografia de tórax.

Podemos concluir, dessa maneira, que a tomografia computadorizada foi mais sensível na detecção de tumores de pulmão. No entanto, houve grande número de falsos positivos (indivíduos com exame alterado, mas que não apresentam câncer), levando a grande número de exames confirmatórios invasivos e caros.

Crítica

A vigilância (i. e. realizar exame em pessoas sem sintomas ou sinais de doença com o objetivo de detectar precocemente uma doença) para câncer de pulmão em indivíduos que fumam provocou grande número de "alarmes falsos", já que a grande maioria das pessoas com o exame (tomografia ou radiografia) alterado não apresentou o câncer. Esses "falsos alarmes" criaram uma grande demanda por procedimentos de confirmação diagnóstica, como novos exames, biópsias e cirurgias. Além disso, o ônus psicológico, familiar e social das pessoas postas na situação de suspeita de câncer de pulmão também deve ser considerado. O estudo também não demonstrou claramente se realizar esse tipo de vigilância prolonga a vida dos indivíduos.

Em suma, a vigilância contra o câncer de pulmão em fumantes vale a pena? Acredito que ainda é muito cedo   para concluir. Fato é que a melhor maneira de evitarmos o câncer de pulmão é parar de fumar! Uma medida muito mais barata, acessível e com resultados garantidos.

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